DigAÍ avança sobre os processos seletivos e mostra até onde a IA já chegou no recrutamento.
De entrevistas pelo WhatsApp à análise de candidatos em escala, a startup brasileira mostra como a inteligência artificial começa a ocupar etapas cada vez mais importantes do recrutamento.


Por muito tempo, falar em inteligência artificial no recrutamento significava pensar em ferramentas de apoio: escrever uma descrição de vaga, organizar informações ou ajudar o recrutador em tarefas operacionais.
Esse cenário começa a mudar.
A DigAÍ, startup brasileira voltada à inteligência artificial aplicada ao recrutamento, vem avançando justamente em etapas que antes dependiam quase integralmente da atuação humana. Hoje, a plataforma trabalha com hunting, abordagem de candidatos, validação de interesse, entrevistas conduzidas por IA e análise de aderência para apoiar a tomada de decisão.
Na prática, a tecnologia já consegue conversar com candidatos, conduzir entrevistas por texto ou voz e organizar informações para que o recrutador chegue às etapas seguintes com mais contexto sobre cada perfil. Segundo a empresa, parte dessas interações pode acontecer diretamente pelo WhatsApp. E os números divulgados em alguns de seus cases ajudam a mostrar a dimensão dessa transformação.
Em uma operação com a Localiza, a DigAÍ afirma ter realizado 3.500 entrevistas em 30 dias, contribuindo para 450 contratações. Em outro case, com Carrefour e Sam’s Club, a empresa relata redução de 60% no tempo de recrutamento utilizando entrevistas por IA no WhatsApp. Já na Zenvia, a solução teria poupado 245 horas de trabalho em recrutamento. Esses dados são resultados divulgados pela própria DigAÍ em seus estudos de caso e, portanto, refletem as métricas reportadas pela empresa.
Uma IA que já não fica apenas nos bastidores
O que chama atenção não é apenas a automação.
É o espaço que a inteligência artificial começa a ocupar dentro da própria jornada do candidato.
Em vez de funcionar somente como uma ferramenta utilizada pelo recrutador, ela passa a conversar diretamente com quem está participando do processo, fazer perguntas, coletar informações e organizar sinais que podem ser considerados na seleção.
É uma mudança importante porque altera a dinâmica tradicional do recrutamento.
A própria origem da DigAÍ ajuda a entender esse movimento. A empresa surgiu a partir de um projeto desenvolvido por Christian Pedrosa enquanto trabalhava no Nubank, inicialmente voltado a ajudar jovens a se prepararem melhor para entrevistas. A ideia evoluiu para uma plataforma de IA conversacional e, em 2025, a startup venceu a competição PITCH do Web Summit Rio.
O recrutador desaparece? Não necessariamente.
Quanto mais tecnologia entra no processo, mais importante se torna discutir qual deve ser o papel do profissional de RH.
Se uma IA consegue entrevistar centenas ou milhares de candidatos, o valor do recrutador deixa de estar concentrado apenas na execução das etapas e passa cada vez mais por definir critérios, interpretar informações, entender o contexto do negócio e tomar decisões melhores.
A questão, portanto, não é apenas se a inteligência artificial será utilizada nos processos seletivos. Ela já está sendo utilizada.
A pergunta mais importante passa a ser: o RH está preparado para trabalhar ao lado dela?
É aí que o Talent Engineering entra nessa conversa
Esse cenário também ajuda a entender por que conceitos como Talent Engineering começam a ganhar espaço.
Em vez de enxergar recrutamento apenas como uma sequência de etapas, a proposta passa por combinar pessoas, processos, tecnologia e dados para construir decisões mais estruturadas sobre talentos.
É uma mudança que exige novas ferramentas, mas também novos conhecimentos de quem trabalha com Recursos Humanos.
O recrutador que acompanha apenas técnicas tradicionais de entrevista corre o risco de ficar distante das transformações que já estão acontecendo dentro do próprio mercado.
E essa discussão chega a Blumenau de forma PIONEIRA!
Esse será justamente um dos assuntos colocados em pauta no próximo Café com RH, realizado pelo RH Club, comunidade criada pela JOYn.
No dia 1º de outubro, às 8h30, no Centro de Inovação Blumenau, profissionais da área vão se reunir para conversar sobre Talent Engineering, Inteligência Artificial e Alta Performance.
Mais do que discutir ferramentas específicas, a proposta é olhar para o que essas tecnologias mudam na rotina de quem recruta, desenvolve pessoas e constrói times.
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Endereço
Rua Almirante Barroso, 1004, sala 205, Vila Nova - Blumenau - SC
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